Como roubar um logotipo

Esse fato eu publiquei há uns dois anos na minha página do FB, mas repito aqui porque até hoje não sei se me divirto ou se me irrito com essa história.

Há uns vinte anos um colega meu da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) propôs uma padronização visual na instituição, que àquela altura tinha uns três ou quatro logotipos diferentes. Criou um símbolo mais moderno, mas que ao longo do tempo não se incorporou de vez como identidade gráfica. Acabou esquecido.

Eis que, alguns anos mais tarde, um time de futebol na India (http://minervapunjabfc.com/ ), na maior cara de pau, resolveu adotar o símbolo para si.

É como se diz no jargão da bola: quem não faz, leva…

Quem tem criatividade?

Um guidão de bicicleta não é uma obra de arte. O selim em que o ciclista se senta para pedalar também não. Mas quando certa vez Pablo Picasso reuniu essas duas peças, enxergou nelas uma cabeça de touro. E criou uma escultura artística.

Acaso? Talvez sim. Mas quantas vezes fazemos coisas de forma aleatória e não percebemos o que há por trás delas?

Talvez você conheça o caso de Art Fry, então cientista da 3M, a gigante multinacional que, dentre uma variedade de produtos, é líder mundial em adesivos de alta aderência.

Fry e eu temos algo em comum: partilhamos do mesmo prazer de cantar em um coro. E quando você tem um repertório grande de músicas acaba sendo comum marcar as partituras com algum pedaço de papel.

Um dia, sem querer, ao derrubar suas folhas com as músicas, Fry teve o seu momento eureka: ele se lembrou que um colega havia desenvolvido uma substância sensível à pressão, mas com baixa aderência. Começou a germinar a partir dali a ideia de um marca-livros.

A ideia do cientista acabou se transformando no bloquinho amarelo mais famoso do mundo: o Post-it.

Criatividade, enfim, é algo que se aplica a você também, independentemente da sua área profissional. Ela não é um dom. Não é exclusividade de artistas e designers.

É apenas mais uma atividade que se exercita.

Mas confesso que não encontrei ainda um jeito criativo de cantar sem desafinar.