Isso pode matar seu negócio

Quando minha filha mais nova era um bebê, eu costumava levá-la para brincar em um parque público perto de nossa casa. Aqui na Alemanha esses parques são muito bonitos, com variados tipos de brinquedos, todos criativos e muito bem cuidados. Ficam particularmente cheios no verão, mas a criançada também se diverte durante o inverno, sobretudo se há neve.

Numa dessas ocasiões, conheci uma moça da República Dominicana cujo filho tinha a mesma idade da minha. Embora tenha sido criada em Nova York, a mãe falava o espanhol como primeira língua – e era nesse idioma que se comunicava com a criança.

Perguntei-lhe qual era o nome do menino.

– Morte – respondeu ela.

– Como?

– Morte.

Fiquei sem o que dizer. Acho que mudei de assunto.

Só alguns meses mais tarde fiquei sabendo que a criança, na verdade, se chamava Morty. Mas o maneira como ela pronunciava o nome do filho era absolutamente mortal.

Nomes e slogans são como ponto de partida entre uma empresa e um cliente.

É algo que deve ser levado em conta quando você estabelece a dimensão que seu negócio vai alcançar, e a que mercado irá atender.

Na cidade onde moro há uma confecção conhecida que, se fosse atravessar fronteiras e vender suas roupas no Brasil, provavelmente seria um fiasco. Eu não me sentiria confortável em vestir uma etiqueta da Merdo.

Há uma lenda, vendida como verdade em cases de marketing, de que a Chevrolet teria tido problemas nos anos 1990 quando lançou o Chevy Nova na América Latina. Tudo porque o público de língua espanhola interpretava o carro como “no va” (não vai).

E há verdades, que viraram lenda, como a da Pepsi, que ao entrar no mercado chinês com seu slogan “come alive with Pepsi” (anime-se com Pepsi) foi interpretado como “Pepsi traz seus ancestrais de volta do túmulo”.

A habilidade para encontrar um nome e um slogan que se ajustem a regiões e culturas distintas não é uma tarefa simples. Fazer com que eles não percam o significado em outras línguas torna-se um passo importante para o sucesso global da sua marca.

O contrário pode significar a morty.

A lição de Mad Men

O dia em que você conquista um cliente é o dia em que você começa a perdê-lo.

Se você, assim como eu, acompanhou Mad Men, levada ao ar pela HBO, deve se lembrar dessa ótima frase de Roger Sterling, um dos sócios da agência de publicidade da série.

É a mais pura verdade. Tão logo você tem a sorte de ganhar um parceiro de negócios, inicia-se o estágio no qual você constrói uma estratégia para oferecer a ele o seu melhor serviço ou produto

Mas basta ficar um pouco estagnado na abordagem e ligar o piloto automático da comunicação para que ele perceba que você não está mais comprometido com seu sucesso da forma como ele imaginava.

E aí começa o momento em que ele vai buscar a comida na tigela do vizinho.

Porque cliente é interesseiro como gato, não é fiel como cachorro.

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