Conquiste seu cliente invertendo sua imagem

Nos anos 1970 três pesquisadores publicaram numa revista cientifica um estudo sobre como as pessoas gostam daquilo que lhe são familiares. Para comprovar esse fato, reuniram um grupo de mulheres para fazer parte de uma experiência, que sugeria o seguinte:

1. Pegue uma foto antiga com uma visão frontal do seu rosto – no artigo original os autores utilizaram um negativo da foto, mas lembre-se que isso foi há quarenta anos e pode ser que você nunca tenha visto uma película de negativo na vida. Por isso, deixe-me adaptar o exemplo para os dias atuais.

2. Escaneie essa foto antiga e imprima duas versões dela: uma que mostre você como realmente aparece na foto e outra que mostre sua imagem invertida.

3. Escolha qual versão do seu rosto mais lhe agrada e peça a alguém que faça o mesmo. E aí, provavelmente, algo singular vai acontecer: esse alguém vai preferir a cópia fiel, mas você deverá gostar mais da cópia invertida.

E por que isso acontece? Porque ambos estarão reagindo favoravelmente ao rosto que lhe é mais familiar – seu amigo ou amiga prefere aquele “você” que o mundo vê. E você, ao rosto a que está acostumado a ver refletido no espelho.

Conceber e desenvolver um projeto visual, de certa forma, é como mostrar ao cliente uma foto invertida de si próprio. Quando participo de algum desses projetos, muitas vezes o faço com a certeza de que o cliente vai se encantar de imediato com a minha proposta – e me desencanto quando ele não se identifica com o que vê, e solicita uma outra solução.

É desafiador criar algo pelo qual seu cliente se afeiçoe. Mas quando esse algo evoca nele alguma familiaridade, é sinal de que você está no caminho certo.

Quer seja um produto, quer seja um serviço, a conclusão é a mesma: design não está nos olhos de quem o cria, está nos olhos de quem o consome.

8 maneiras de se manter criativo

Criatividade é algo crítico para todos nós. Quantas vezes me vi bloqueado diante de uma página em branco, sem saber por onde começar.

Talvez você também já tenha se deparado com aquela situação em que imagina o que quer, a ponto de visualizar a obra pronta. Só não sabe como chegar até lá.

Não é como aquela história do Michelangelo, que ao ser perguntado como esculpira o seu Davi de quase cinco metros de altura, respondeu que foi simples, que ficou um bom tempo olhando o bloco de mármore até enxergar ali o cara que matou o gigante Golias. Depois, foi só pegar as ferramentas e tirar tudo aquilo que não era o Davi. É talvez um caso artístico de engenharia reversa.

A boa notícia é que não somos um Michelangelo. Não precisamos chegar a esse estágio de alucinação.

Mas, independentemente da sua área profissional, em algum momento você faz uso da criatividade.

Só que ideias não caem do céu, nem brotam do nada. Antes de tudo, é preciso se criar um ambiente para que elas floresçam e cresçam.

O fato é que, ao longo desses anos, percebi que intuitivamente há maneiras da gente buscar a inspiração quando ela teima em não aparecer.

Aqui eu cito oito delas. Mas é claro que há muitas outras (aliás, se souber de uma, me fale):

1. Não brigue com o seu cérebro. Criatividade é como um refluxo, que vai e vem. Ela não avisa quando vai chegar. Não é algo programado. Um empresário pode esperar que seu funcionário execute uma tarefa a uma determinada hora do dia. Mas não pode exigir que ele tenha uma boa ideia exatamente às 9h12 da manhã. Portanto, pare de martirizar e dê um tempo para si mesmo.

2. Saia para uma caminhada. Ande pela praia, pelo parque, pelas ruas por uma meia hora, pelo menos. Tomar um pouco de ar, dar uma volta para espairecer e mudar de ambiente, nem que seja por um curto tempo, tem um efeito poderoso no processo criativo.

3. Carregue um bloquinho de notas. Guarde seu iPhone, seu iPad e outros ais e tenha em mão lápis e papel.O traço manual é único. Esboce, rabisque, desenhe, anote qualquer coisa que lhe venha à cabeça.

4. Faça algo igual. A gente aprende copiando os outros. Copie e reproduza o estilo de um artista ou um texto de um grande escritor. Veja o que você pode assimilar dali. Partindo do que existe, cria-se algo novo. Pode ter certeza que poucas coisas são originais neste mundo.

5. Faça algo diferente. Se você é um designer, escreva um texto (eu estou aqui dando o exemplo neste momento). Se você é um escritor, uma jornalista, por exemplo, faça desenhos. Se você é um profissional de ciências exatas, pinte quadros. Explore um território pouco conhecido do seu dia a dia.

6. Mude seu ambiente. Quebre a monotonia do seu redor mudando de lugar onde você costuma trabalhar. Se é em casa, experimente mudar de cómodo por algum tempo. Se sua atividade é dentro de um escritório, procure ficar numa outra sala ou em outra mesa. Vá a uma biblioteca. Entre numa livraria. Lembre-se que você não precisa entrar numa cafeteira só para tomar café.

7. Brainstorming. Esse já é um velho conhecido quando o assunto é gerar ideias. Mas funciona. Apenas anote tudo o que vier à cabeça, sem censura, sem filtrar ou refinar o esboço. Vale tudo aqui. Só o fato de saber que muita coisa, senão quase tudo, que você fizer vai ser descartada e jogada fora já alivia um bocado a pressão de criar e produzir algo final.

8. Keep calm. Vivemos num mundo de inputs – é muita coisa entrando na nossa cabeça o tempo todo através de whatsapp, internet, emails, tv, música, jornais, anúncios, enfim, haja espaço livre para produzir pensamentos criativos. É por isso que vez ou outra eu desligo tudo, dou um tempo no mundo lá fora e medito no meu mundo aqui dentro. Meia hora em silêncio vale ouro.

Tudo isso acaba sendo atitudes que, de algum modo, alimentam o nosso cérebro. As imagens vão se formando. Nos sentimos inspirados. É a hora em que estamos finalmente prontos para sermos geniais e criarmos algo memorável.

A má notícia é que não somos um Michelangelo.