Como atrair clientes

Não sou um grande fã de animais domésticos. Mas, como sou um sujeito democrático, aceitei a ideia que meu filho teve em ter aqui em casa dois coelhos.

É lógico que me arrependi logo depois de ter dito sim, mas já era tarde. E não havia nenhuma cartola mágica por perto por onde eu pudesse enfiar os bichos de volta.

Com o tempo, venho me acostumando com eles. São dóceis. Não emitem som algum. Parecem até mudos. E o fato de serem dotados com uma visão grande angular de quase 360° talvez explique o porquê de ficarem meio confusos em distinguir objetos muito próximos a eles.

Se você quiser que eles percorram por um determinado caminho, é preciso fazer uma espécie de baliza e bloquear opções alternativas por onde eles pudessem eventualmente seguir.

De certa forma, seu cliente também é um cara disperso. Todos nós somos. É fácil demais não focarmos em um propósito específico.

Segundo um artigo recente do NYT, a Amazon americana desenvolveu mais de uma centena de marcas próprias. Se você procurar por uma pilha alcalina, por exemplo, ou algum outro item doméstico, o site vai conduzi-lo (ou induzi-lo) ao AmazonBasics, de modo que você siga qual um coelhinho em direção à linha de produtos da empresa.

Nesse universo competitivo cada vez mais acirrado, como se defender contra um concorrente que dispõe de um leque de produtos próprios?

Através do reconhecimento da sua marca como algo superior em termos de qualidade e design.

É mostrar ao seu público o que você quer que ele veja, e atraí-lo para a experiência memorável e única que somente a sua marca pode oferecer.

O design da sua marca acaba sendo o diferencial que elimina a visão angular de 360° de seu cliente cunicular.

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Qual é o seu credo?

Tive um vizinho que morou por pouco tempo no meu prédio. Nunca soube seu nome, mas quando a gente se encontrava casualmente pelas manhãs no elevador, eu lhe desejava bom dia, perguntava se estava tudo bem e ele inevitavelmente me respondia sorrindo:

– Tudo bem, com tendência a melhorar!

Era talvez o seu credo: transmitir uma mensagem positiva em relação à vida.

Certa vez eu o vi no playgroud com sua filha, que na época devia ter uns oito anos de idade. Ele ajudava pacientemente a menina a andar. Ela tinha as perninhas atrofiadas e era semiparalítica.

O fato é que isso não era motivo para que meu vizinho abrisse mão daquilo que ele me dizia pelas manhãs.

Como pessoa ou como empresa, estabelecer um credo pode ser uma das coisas mais poderosas que uma marca pode criar na mente humana. Sobretudo quando às vezes esses valores são postos à prova.

O Google também tinha o seu: Não seja mau. Uma frase simples e que refletia sua cultura despojada e informal (ih, até rimou.)

Soube que recentemente milhares de funcionários da empresa assinaram uma petição solicitando que ela não participasse de um contrato lucrativo com o Departamento de Defesa norte-americano que previa a análise de vídeos e imagens feitas com drones. Afinal, se nesse caso drones ajudam a matar pessoas, por tabela a empresa estaria sendo incoerentemente “má”.

Com isso, o Google desistiu de participar do projeto e demonstrou de alguma forma que seu credo era significativo e autêntico. Mas, por via das dúvidas, abandonou o “não seja mau” e resolveu há poucas semanas mudá-lo para “faça a coisa certa”.

O que talvez, no fundo, seja a mesma coisa.