Como fazer algo melhor do que antes

Nunca fui um ilustrador, mas na minha época de estudante de Desenho Industrial havia uma disciplina de desenho artístico, cujo professor era um japonês radicado no Brasil há alguns anos. Era um daqueles caras que economizavam nas palavras e no riso. Mas gastava fácil o seu talento no modo de ensinar.

Os alunos ajustavam o papel no cavalete e começavam a traçar a carvão e a giz algum objeto exposto na sala.

Certa vez, quando acabei um trabalho ele o examinou seriamente e, após algum tempo, assentiu com a cabeça: “Bom.” Mais uma pausa oriental eterna que durou alguns segundos, e disse: “Faz outro”.

Como assim? Horas dando o melhor de mim naquele cavalete e ter que começar tudo do zero outra vez?

Quis matar o japonês. Mas imaginei que ele pudesse ser uma espécie de seu Miyagi, e acabei deixando pra lá.

Anos mais tarde, trabalhando com infografia na redação de um jornal, havia um colega que tinha um traço espectacular, com uma habilidade inata que ele podia empregar tanto para uma charge quanto para uma ilustração elaborada.

Fazia uma obra de arte com uma ideia na cabeça e um mouse na mão. Seu problema era que, na maioria das vezes, após horas desenhando ele esquecia de salvar o trabalho. E era nesse momento que seu computador esbaforido resolvia travar – e ele perdia tudo.

No desespero e correndo contra o relógio, fazia tudo outra vez. Só que com muito mais rapidez.

O que liga essas duas histórias é que, inevitavelmente, os desenhos resultantes saiam surpreendentemente melhores. Mais interessantes do que as versões trabalhadas antes em excesso.

Por que? Porque a gente acaba se apegando a uma ideia única e bloqueando as alternativas. E de alguma forma a gente não apaga a imagem anterior. Ela fica ali, visualmente gravada na memória.

Na nossa vida diária profissional também é assim: podemos iniciar, desenvolver e apresentar um projeto, que acaba sendo preterido. É a hora então de ativar a memória visual, manter o básico, eliminar a gordura e refinar o essencial. E criar uma versão ainda melhor.

Marca x logotipo

Há muita gente que confunde marca como sinônimo de símbolo e de logotipo.

É um erro comum de interpretação, pois na verdade uma coisa faz parte da outra.

Então, para fazer um rápido resumo: a marca (ou brand, em inglês) é a representação de valores que um produto, uma empresa, um serviço ou até mesmo uma pessoa transmite ao consumidor. É algo feito para desencadear uma série de percepções na mente humana.

Porsche e Fiat são duas marcas que, a rigor, produzem o mesmo tipo de produto. Mas é fácil perceber que uma delas está associada a ideia de alta qualidade, potência, velocidade, luxo e por aí vai.

Já símbolo e logotipo são elementos que fazem parte da identidade visual de uma marca. É a sua parte visível e tangível. É através deles que a marca torna-se mais fácil de ser lembrada.

De tal forma que muitas vezes é possível até mesmo reconhecê-la somente por uma das letras do seu nome.

E, por isso, aqui vem a brincadeira: você seria capaz de dizer o nome das marcas que são iniciadas por cada uma das letras abaixo?