Da falta de ideias

Numa certa manhã de sol, no meio de semana, Chico Buarque caminhava de bermudas pela orla da praia do Leblon, no Rio.

Talvez para muitos o músico estivesse apenas flanando pela praia, na mesma hora em que boa parte das pessoas estava dando duro no batente, estudando numa sala de aula ou, pior ainda, engarrafada no trânsito da cidade.

Mas Chico estava trabalhando.

O que ele fazia àquela hora do dia era buscar inspiração, talvez para um verso de um texto ou para uma linha melódica que pudesse se encaixar numa futura canção.

Seja o que for, era uma atitude intuitiva, mas que tinha um fundamento lógico. Há alguns anos a revista Scientific American publicou um artigo sobre como distância espaciais podem causar um grande impacto na criatividade humana.

Quantas vezes me vi bloqueado diante de uma página em branco, sem saber por onde começar.

Talvez você já tenha também se deparado com aquela situação em que imagina o que quer, a ponto de visualizar a obra pronta. Só não sabe como chegar até lá.

O fato é que dar uma volta para espairecer e mudar de ambiente, nem que seja por um curto tempo, tem um efeito poderoso no processo criativo.

Por isso, a minha dica é: não brigue com o seu cérebro.

Um empresário pode esperar que seu funcionário execute uma tarefa a uma determinada hora do dia. Mas não pode exigir que ele tenha uma boa ideia exatamente às 9h12 da manhã.

Quando a inspiração teimar em não surgir, faça como o Chico: vá pra rua trabalhar..

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