O poder da marca

Durante uma viagem recente de carro pela Bélgica, eu percebi a dimensão que uma marca pode alcançar. Na beira da estrada havia uma grande fábrica da Nike. Mas não havia ali uma só palavra que fizesse referência à empresa.

Apenas o símbolo.

Walter Landor, fundador de uma das maiores agências de identidade visual do planeta, e que leva o seu nome, dizia que os produtos são criados na fábrica, enquanto as marcas são criadas na mente.

E é esse o grande desafio que um designer tem pela frente: criar algo único, e que também num único segundo tenha o poder de comunicar a sua mensagem. Sobretudo porque somos bombardeados por marcas de todo tipo, todas elas lutando entre si para atrair a minha e a sua atenção.

Gosto do símbolo da Nike porque ele sintetiza o propósito da empresa num simples traço. Phil Knight, seu fundador, encontrou na mitologia grega o nome para o su negócio: Nike era a deusa alada que personificava a vitória.

Ao conceber visualmente a marca, Knight queria um logotipo que transmitisse movimento, velocidade e dinamismo. Elementos que, de certa forma,  se combinassem com o próprio nome da companhia.

A jovem designer Carolyn Davidson assumiu a tarefa, criando um asa estilizada e que ao mesmo  tempo dá a ideia.

A moça, ainda uma estudante na época, ganhou uma quantia modesta pelo seu trabalho.

Hoje o valor da marca desenhada por Carolyn está em torno de 23 bilhões de dólares.

Da falta de ideias

Numa certa manhã de sol, no meio de semana, Chico Buarque caminhava de bermudas pela orla da praia do Leblon, no Rio.

Talvez para muitos o músico estivesse apenas flanando pela praia, na mesma hora em que boa parte das pessoas estava dando duro no batente, estudando numa sala de aula ou, pior ainda, engarrafada no trânsito da cidade.

Mas Chico estava trabalhando.

O que ele fazia àquela hora do dia era buscar inspiração, talvez para um verso de um texto ou para uma linha melódica que pudesse se encaixar numa futura canção.

Seja o que for, era uma atitude intuitiva, mas que tinha um fundamento lógico. Há alguns anos a revista Scientific American publicou um artigo sobre como distância espaciais podem causar um grande impacto na criatividade humana.

Quantas vezes me vi bloqueado diante de uma página em branco, sem saber por onde começar.

Talvez você já tenha também se deparado com aquela situação em que imagina o que quer, a ponto de visualizar a obra pronta. Só não sabe como chegar até lá.

O fato é que dar uma volta para espairecer e mudar de ambiente, nem que seja por um curto tempo, tem um efeito poderoso no processo criativo.

Por isso, a minha dica é: não brigue com o seu cérebro.

Um empresário pode esperar que seu funcionário execute uma tarefa a uma determinada hora do dia. Mas não pode exigir que ele tenha uma boa ideia exatamente às 9h12 da manhã.

Quando a inspiração teimar em não surgir, faça como o Chico: vá pra rua trabalhar..